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Mostrando postagens de 2016

Criança

Todas as manhãs é ele que me acorda. Me chacoalha e diz que está na hora de levantar e ir cumprir as metas do dia. Quando viro e quero voltar a dormir nas manhãs frias, uma força surge nas minhas pernas e levanto. Esfrego o rosto e sinto uma energia. Ele me olha e acena positivamente. É uma criança baixinha, branca, do cabelo castanho claro e olhos escuros. Um olhar penetrante, sonhador, e muito confiante. Às vezes quando estou voltando para casa depois de um dia cansativo, ele me abre os olhos e fala em meu ouvido que posso conseguir mais, que posso continuar lutando. Concordo, mesmo que muitas vezes seja para agradá-lo. Me sinto intimidado quando a pequena figura me encara quando estou frente a situações embaraçosas e prestes a más ações. Ele me cobra a coisa certa e me abraça quando a faço. Sinto feliz em dar orgulho para aquele pequeno tão inocente. Penso em muitas madrugadas se estou fazendo a coisa certa e se essa criança está feliz. No que posso fazer para melhorar, para ...

Ketchup?

Sábado. O shopping estava lotado. O casal de namorados ia a uma sessão de cinema. As crianças brincavam na piscina de bolinhas na área infantil. As lojas estavam ainda mais chamativas, com balões que anunciavam promoções de inverno. Algumas outras lojas atraiam o público pela música e pelo simples passar do tempo. A praça de alimentação estava ainda mais lotada, com a maioria das mesas ocupadas. Na segunda vez que um menino brincou com a batata, ela caiu no chão. Em uma fila das mais famosas redes de Fast Food do mundo, o clima era desarmônico. Era uma loira, alta, se sentindo injustiçada e ofendida com a atitude do outro lado do balcão. Seu lanche demorou a chegar, e quando chegou, estava sem ketchup.   Gritava com a funcionária da rede, que só olhava e não parecia ter coragem (autorização) de retrucar os insultos. Era chamada de incompetente e apenas aceitava o deslize. Nada falava. A cliente então exigia retratação e solicitava presença de algum superi...

Desencontros

A escuridão natural da noite na pequena cidade interiorana era bem mais intensa no coração de Eduardo. Os sentimentos perniciosos de uma quase madrugada compunham sua melancolia, acompanhados de um sussurro gelado que entrava pela janela aberta. Seus quadros, herdados da avó, se distribuíam pela parede assim como seus pensamentos. Ambos esvairados. Sua culpa era mansa, mas corroía. Deteriorava sua essência aos poucos. A esperança em encontrar Manuela ainda era seu afago. Por mais que conscientemente soubesse que nunca a encontraria, a esperava. Esperar, era seu encontro. Manuela não era invenção de sua cabeça, era a mais perfeita criação de seu protótipo doce e poético. Tornou a embebedar a alma com mais um gole de vinho. Já era a terceira taça. O vento que agora entrava pela janela o incomodava. Era frio e fazia a janela bater incessantemente. Levantou para fechá-la e hesitou ao ver a lua. Apoiou-se no parapeito e junto reclinou a esperança. Sob a lua, passou uma mo...