A escuridão natural da noite na pequena cidade interiorana era bem mais intensa no coração de Eduardo. Os sentimentos perniciosos de uma quase madrugada compunham sua melancolia, acompanhados de um sussurro gelado que entrava pela janela aberta. Seus quadros, herdados da avó, se distribuíam pela parede assim como seus pensamentos. Ambos esvairados. Sua culpa era mansa, mas corroía. Deteriorava sua essência aos poucos. A esperança em encontrar Manuela ainda era seu afago. Por mais que conscientemente soubesse que nunca a encontraria, a esperava. Esperar, era seu encontro. Manuela não era invenção de sua cabeça, era a mais perfeita criação de seu protótipo doce e poético. Tornou a embebedar a alma com mais um gole de vinho. Já era a terceira taça. O vento que agora entrava pela janela o incomodava. Era frio e fazia a janela bater incessantemente. Levantou para fechá-la e hesitou ao ver a lua. Apoiou-se no parapeito e junto reclinou a esperança. Sob a lua, passou uma mo...
"Tentativas de traduzir os mais intensos devaneios"